quarta-feira, 7 de julho de 2010

Lá no fundo, no fundo, é claro que eu não queria ter reprovado uns anos. Eu só queria estar ainda na faculdade ou, ainda melhor, no secundário. O que não é a mesma coisa que reprovar. O que eu queria mesmo era viver tudo outra vez e até diria que voltava a fazer a grande maioria das escolhas que fiz.

O problema aqui é mesmo o que a Lila disse: nós somos pessoas estranhas.  Eu tenho alguns momentos que sou mesmo, mesmo, como o Variações cantava: "Porque eu só estou bem aonde eu não estou, Porque eu só quero ir aonde eu não vou".

Ora vejamos.
Eu ando a passar-me no trabalho, porque cresce a olhos vistos, porque um colega com quem gostei muito de trabalhar a vai sair, porque ainda tenho muito para aprender, porque perdemos montes de tempo na viagem, porque as minhas responsabilidades estão a aumentar, porque tenho que me concentrar, porque, porque. Mas eu gosto de cá estar, gosto das condições, gosto do ambiente, gosto da companhia nas viagens, gosto dos almoços e dos cafés, gosto da descontracção, gosto do trabalho, gosto que depositem confiança no que eu faço, gosto de ver resultados, gosto muito das pessoas. Por isso estou óptima neste campo.

Eu enervo-me todos os dias com o meu explicando. Porque não vejo resultados, porque ele não estuda um caraças, porque me mente, porque tem mentalidade de um miúdo de 6 anos,  porque esteve ele esteve as três semanas antes do exame nacional de matemática sem fazer um único exercício, porque inventa desculpas parvas e porque eu não consigo, simplesmente “deixar para lá”. No máximo finjo-me de burra. Mas isso não dilui a frustração. Por outro lado, acho que foi uma boa experiência e apesar dos cabelos brancos, acho que deu para aprender alguma coisa. Por isso, e apesar de não querer continuar a dar-lhe explicações para o ano, gostei. E até estou a pensar aventurar-me noutra missão impossível do género desta, para o ano. A ver vamos.

Estou a desesperar com a faculdade. Tenho um projecto de investimento para fazer, o meu grupo não percebe ponta daquilo e eu vejo o tempo a apertar. Cada vez mais. Chego a casa e regra geral não me apetece fazer nada. E estou em riscos de não fazer a disciplina. E para o ano não vou pagar um ano de propinas só por causa disto. E eu não quero morrer na praia. Mas como disse a Raquel “ninguém te disse que ia ser fácil”. Por isso tenho que conseguir…

Para melhorar a situação: há dois projectos do trabalho para entregar por volta de dia 16, o exame nacional de matemática é dia 19, o trabalho da faculdade é também para dia 16. Ainda ajuda o facto de eu, há uns tempos, ter tido a feliz/infeliz ideia de marcar férias para esse fim-de-semana. Tão genial que eu sou. Não estou triste nem arrependida de nada. Estou só cansada e a ver a luz do túnel muito apagada. Pelo menos até dia 16.Por tudo isto, queria voltar um pouco atrás. Queria ter 3 meses de férias (fora outros 6 em que se fazia muito pouco). Queria estar algures numa esplanada. Queria ficar na praia até às 20h. Queria perder horas num qualquer jogo estúpido de computador. Queria dormir toda a manhã. Queria não ter que pensar em nada até Outubro.

É claro que eu gosto das coisas boas deste momento. Gosto de poder comprar as minhas coisas, de poder viajar, de ir a mais concertos, de conhecer mais sítios, de poder fazer muitos mais planos. Gosto e aceito bem esta etapa. No entanto, eu sou claramente, uma eterna insatisfeita e por tudo isso, eu quero sempre mais, muito mais.


Vou continuar insuportável até dia 15.
Eu acredito que apesar de tudo, vou conseguir (excepto que o rapaz tire positiva no exame nacional, mas isso não depende só de mim!).
Periquito, tens aqui um texto grande para encontrares gralhas.

4 sentidos:

Dark angel disse...

Pois, é o preço a pagar por crescermos...
Sei lá... never ending story...

Faz uma coisa de cada vez e tenta não stressar demais, senão não deixas de ter pesadelos porque eles tb são a consequência disso.
E outra coisa ainda, não desistas de nada e mostra a todos o que vales. És mulher, carago. Força aí!
Beijinho!**

Leila Reis disse...

isso anda complicado por aí, mas a verdade é que ser estudante não é propriamente o melhor do mundo, e ter 3 meses de férias também não, porque torna-se por vezes chato não ter nada que fazer.
cada coisa a seu tempo, e a verdade é que nós crescemos e evoluímos :)
boa sorte com isso.

SonieCarvalho disse...

A pressao e o stress faz parte de todo o dia-a-dia de um adulto :).
Ainda assim... ao descreveres tudo o que se passa a tua volta dou.te os parabens pela gestao emocional que fazes e o quanto te aguentas.
Familia, namorado, amigos não podem faltar nestas alturas e tu sabes que podes contar com eles.

Por isso.. mta forcinha e toca a dar.lhe nos trabalhos pq o teu sucesso esta so a começar ;)

Lila* disse...

Acho q o que escrevi deve estar mt confuso...é q a mh mae veio conversar cmg e eu perdi-me toda e acabei por postar sem ler!