terça-feira, 14 de junho de 2011

De Paris - Troisième

Só consigo pensar em três coisas menos boas desta viagem: dinheiro, pessoas e inglês.

Tudo o que tivemos que pagar pareceu-me caro. O Hostel, face às condições que tínhamos, foi o mais caro em que fiquei. O aeroporto é longe (como a grande maioria dos aeroportos low cost) e o transporte mais barato (autocarro) custa 15€/viagem (e eu que "chorei" os 11€ de Barcelona). É um acréscimo de 30€ + cerca de uma hora de viagem entre aeroporto e Paris, o que, um dia que volte, me fará pensar duas vezes. Uma viagem de metro custa 1,70€. Uma subida, por elevador, ao terceiro piso da Torre custa pouco menos de 15€. Valeu-nos uma coisa brutal: menores de 26 anos, cidadãos da União Europeia, não pagam no Louvre, têm desconto ao fim-de-semana no metro (por 3,40€ temos um passe de dia) e não pagam em Versailles (embora este não tenha dado para aproveitar). Penso que li algures que a entrada é livre em todos os museus e é capaz de haver outras vantagens que não chegamos a descobrir. 

O problema número dois foram as pessoas. Ou tivemos muito azar nestes dias, ou há muitas pessoas antipáticas por aqueles lados. Três casos. Balcão de informações numa estação de metro. Pedido de informação acerca do bilhete <26 em inglês. A senhora que estava no outro lado não responde. Não diz que não fala inglês. Nada. Faz cara de enjoo. D. faz a mesma pergunta em francês. Senhora explica. Acenamos que queremos esses bilhetes. Começa a tirar três bilhetes e mostra o total. Explico que vamos pagar em separado. Ouvimos um simpático "Merde!" do outro lado e uma mão estendida para receber o dinheiro. Entrega os bilhetes sem o mínimo rasgo de simpatia (e educação!). Museu do Louvre. Peço os bilhetes. Desta feita, pelo menos consigo safar-me só com o inglês. Explico que quero três bilhetes para o museu, menores de 26 anos. Rapariga diz "card ID" e estende a mão. Mostro as identificações. Entrega-me três bilhetes sem uma palavra. Pega num panfleto. Espero porque penso que ia receber alguma indicação extra. Pergunto se está tudo. Recebo um gesto com a mão a indicar que podemos sair. Montmartre. D. pergunta a uma retratista o preço de um retrato. Fulana olha para nós e responde "c'est três cher" (é muito caro). Mais do que arrogância, em qualquer um dos casos, isto para mim é falta de educação pura. Se tivemos azar para tropeçar em três pessoas assim das 10 com quem tivemos alguma espécie de interacção? Acredito. Fiquei com péssima impressão.

O último "problema" já estávamos à espera: quase ninguém a falar em inglês. Encontramos uma senhora super simpática, enquanto procurávamos o hostel, que falava muito bem inglês. De resto não foi muito simples encontrar na rua quem conseguisse balbuciar uma resposta em inglês. O próprio site do metro está só 10% traduzido para inglês. Um casal (novo!), perguntou-nos, no metro, de onde éramos. Não percebemos a pergunta. Voltou a repetir. Continuei sem perceber e perguntei se podia repetir em inglês. O pobre do rapaz fez uma cara igual à que faria caso me pedissem para repetir o mesmo em chinês. A namorada pensa uns segundos e diz "where are you from". Recebeu um olhar de pura admiração do namorado.

O bom? Bem o bom foi muito mais! :)

A cidade é linda. O tempo estava fantástico (embora a amplitude térmica seja grande). A companhia era óptima. Não senti o "romantismo no ar" que dá tanta fama a Paris. É tão romântica como o Porto ou Londres. Nem sequer acho que esse romantismo possa estar associado a uma cidade. A cidade é muito grande e muito bonita. Está cheia de movimento, História e diversidade, como qualquer Grande cidade.  A Torre é muito mais bonita do que me lembrava.  Gostava de ter 2 dias só para o Louvre e companhia. 3 dias para a Disney. 1 dia para Versailles. Queria ter tido mais tempo para descansar nos jardins, subir a Notre Dame e ao Arco, passear de barco no Sena, alugar uma bicicleta, sentar-me numa esplanada. Gostava de uma semana para aproveitar verdadeiramente Paris porque vale a pena. Embora não tenha entrado no meu "top 3" de cidades, Paris dá muita vontade de voltar.

2 sentidos:

Aline disse...

Há de tudo! Há gente antipática a há gente educada. Estive lá o fim-de-semana passado e noto diferença. Quanto ao Inglês, os franceses não se esforçam minimamente para aprender línguas e ainda muito menos Inglês. detestam os Ingleses. Há picardia mútua entre os dois povos.
Quanto ao facto de ser caro, concordo contigo. Não se pode comprar nada na rua e não se pode andar de taxi. Mas os supermercados, roupas e outras coisas são ao mesmo preço de cá.
O Romantismo de que falam tem a ver com o facto da cidade ser histórica, pouco mudou, transportando para outras épocas mais líricas. Penso que será disso. Eu amo Paris, mas sou suspeita. Volta lá, sim. Troca o Louvre que já viste, pelo Musée d'Orsay 8o meu preferido), o museu Picasso (de borla para estudantes e professores) e vai ao Quartier Latin. Vais amar. Versailles, para mim, é muito Rococó. Prefiro o Louvre.
Baralhei-te ou deixei-te com vontade de lá voltares?

Vera disse...

Deixas-te-me como vontade de lá voltar! :)