sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Mentiras e afins

Tenho por princípio acreditar nas pessoas e geralmente não me arrependo. No entanto, nos últimos tempos tenho ouvido um conjunto enorme de histórinhas da Carochinha e se há coisa que eu não gosto é que me façam passar por burra. Dou explicações de matemática, e gosto muito do meu explicando, o que acaba por não ser propriamente bom porque acabo por fechar os olhos mais do que o que devia. A questão fundamental é que, aparentemente, ele quer perceber matemática sem fazer exercícios. Já lhe marquei muitos trabalhos para casa, já marquei poucos, já deixei à consideração dele. Já lhe dei grandes sermões, já lhe expliquei que é para o bem dele, já lhe mandei mensagens para ele não se esquecer de fazer exercícios and so on... Eu sei que não me deveria deixar afectar, que ele é que não quer aprender, mas não consigo deixar de me sentir frustrada, porque, obviamente, não vejo resultados. Esta semana foi um óptimo exemplo. Marquei-lhe exercícios do livro dele para fazer e enviei alguns por email (não muitos, juro!). Como ele adiou a explicação 4 dias, eu enviei-lhe mais um teste intermédio de um ano anterior para fazer revisões. No dia da explicação, algumas horas antes, envio uma mensagem para ele não se esquecer de ir ver o email. Eis que surge o diálogo surreal número 1.
Ele: Ah, ok, depois vejo. Não fiz os que me mandaste há uma semana para o email porque apaguei o caixa de entrada "sem querer".
Eu: Ok, já te reenviei esse email também. Espero que pelo menos os do caderno de actividades tenhas feito.
Ele: Sim, sim. Fiz.

Algumas horas mais tarde, chega e eu peço os exercícios para corrigir. Diálogo surreal número 2.
Ele: Os últimos que me mandaste não fiz porque a minha impressora não imprime.
Eu: E os outros? Sabes que quando apagas um email eles vão para a lixeira não sabes?
Ele: Sim, mas também apago a lixeira.
Eu: E não tens o meu número? Eu enviava outra vez!
Ele: Pois, mas andava lá atarefado a tentar ver o que se passava com a impressora e depois passou-me.
Eu: ... Ok, mostra lá o caderno com os exercícios resolvidos do caderno de actividades.
Ele: Ah, eu resolvi-os no próprio caderno de actividades.
Eu: (A pensar: É quase impossível resolver inequações grandes em cadernos de actividades, mas...) Mostra lá então o caderno de actividades.
Ele: (Folheia o caderno) Eh... Acho que não fiz aqui, devo ter feito no caderno de um amigo meu...

WTF??? Eu não quero nem posso chama-lo mentiroso e, já lhe expliquei várias vezes, que quem perde é ele! Ninguém aprende matemática, muito menos 12º, sem fazer um mínimo de exercícios. Pelo menos, ninguém que eu conheça. Alguém tem alguma nova estratégia eficaz para o por a gostar/trabalhar? E não me digam que “eu não me devia deixar afectar, que o mal é dele que não quer aprender”, que isso eu já vi bem que não consigo.

6 sentidos:

Marisa disse...

É de facto hilariante... Nem sei que te diga! Parece que já tentaste o impossível e ainda assim é como se vê... Não sou a pessoa certa pra aconselhar. Espero que consigas "domá-lo" eheh ♥ Dá um espreitadela na minha colecção do "Dia dos Namorados". Bjinho ♥ Bom FDS

Sara Francisco disse...

God! Acho q o tinha espancado :O

C* disse...

E logo matematica de 12º ano.
:S

C* disse...

Também gosto muito da musica :D.

Nokas* disse...

Eu bem sei o género que estás a falar. E também eu não consigo ficar indiferente a estas mentiras principalmente quando os apanho em flagrante e eles ainda me tentam pôr areia para os olhos. Uma das coisas que eu faço logo é dar conta da situação aos pais, porque mais do que ninguém são eles que devem chamar a atenção à criança/adolescente e saber (ou tentar perceber) o que se passa (se não formos nós a falar com os pais muitas vezes eles nem sabem o que se passa, porque como é obvio o miúdo não vai chegar à beira deles e dizer que não lhe apetece estudar, que a escola não lhe diz nada).

Mas nem sempre os pais sabem o que fazer. Esta semana tive uma mãe que me disse que já nem sabia o que fazer ao filho, que ate agora tentou contornar a situação com palavras mas que já estava desesperada por tamanha indiferença do miúdo em relação à escola.

Desinteresse, indiferença e desmotivação não são coisas fáceis de ser combatidas. Por mais que eu tente demonstrar as vantagens da escola, da importância disto para o futuro deles, que os pais andam a pagar para eles andarem na escola, para terem tudo há casos que é muito mais do que isso. A escola pouco lhes diz. Tudo o resto é bem mais interessante: a net, os colegas, o futebol, a namorada. Ah sim, porque estão convencidos que vão ser jogadores de futebol quando forem crescidinhos. Mas estou com miudos(as) até ao 9ºano. Ha dois ou tres casos que eu antevejo que acabem o 9º e sigam para as obras ou coisa do genero.

mas depois ha aqueles casos em que se consegue algo. Consegui que uma das raparigas do meu grupo ficasse mais motivada para a escola, começamos a ver cursos profissionais de acordo com os interesses dela. E vamos lá ver o que conseguimos este ano.

Este tema dava panos para mangas. Mas tem de se tentar continuamente despertar o interesse deles e no caso do teu miúdo, no 12º ano, já anda cansado da escola lolol

Leila Reis disse...

Eu acho que se lhe fizesses uma espera, e lhe desses uns bons açoites, podia ser que a coisa se desse. hehehe
Agora a sério, os putos de hoje em dia são mesmo assim. Acho que tu tens a atitude certa, mais do que isso não podes fazer. Estratégia é tentar ensinar, e isso já tu fazes.